sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Spera



O sinal toca o corpo cansado
Palavras e sonhos envoltos em luz
O mártir anseia o pecado
A noite a todos conduz

Tempo corre, tempo passa
Armados seguimos em prece
Distante observa-se a caça
A escuridão entontece

Imerso no completo caos
No limítrofe entre ver e sofrer
Tentando guiar desordenada nau

Eu vou, seguindo a ventania
Vestindo vistosa seda verde
Perante a dor que se avizinha


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Catarse


Quando as pessoas olham para você elas não te vêem, entre os mortos e feridos todos previnem-se de uma nova guerra, ninguém quer mais sofrer. Na próxima esquina, a distância se torna uma aliada, o desvio, um amigo, as poucas palavras são o pão de todo dia, e na verdade, o que não se percebe é que outro campo de batalha foi criado.

  Pessoas vazias vestidas com suas melhores roupas continuam vazias, mas ninguém quer mais sofrer.

  Vivemos encantamentos passageiros, sonhos superficiais, mentiras bonitas. Uma noite falsa, para falsos amantes, mas uma morte verdadeira aos que merecem morrer. E onde estará o sol? Para encerrar as desventuras dos amores não-correspondidos, para fazer fotossintetizar a matéria prima de um novo amor, de verdade.

  Pessoas se tornam passado. Passou.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

εμπειρικός


Uma noite quente, mas nada me impede de tomar meu café bem fervido, e contemplar a fumaça rítmica que enlaça a si mesma na borda da minha xícara de cor marrom. Música romântica tocando na rádio, voz aguda, doce, feminina. Diversos poemas flutuam em minha cabeça. Meu telefone toca, meio descrente digo: "Mais uma mensagem de amor". E não é que estava certo? Algo sobre o amor das fênix. Dou uns goles no café. Preciso me focar e terminar o texto. Eu gosto de escrever, tenho um amor pelas palavras, é o meu fetiche. Sempre quis uma estante, abarrotada, que como mais um dos meus sonhos "ignóbeis" de infância, foi ignorado. Tive uma máquina de datilografar, é verdade. Achei perdida na casa da minha avó, se tornou minha melhor amiga por bons tempos, até acabar a fita. Escrevi muita besteira nela, e apesar de ter meios mais modernos de escrever, sinto saudades. Tropecei muito, estou cheio de marcas que não me deixam esquecer as dores das bobagens que já dedilhei. Eu gosto, sou meio masoquista nesse sentido, no final, é tudo apenas uma forma um pouco mais dolorosa de aprendizado. Erro e acerto. Tão obsceno, antiquado, pré-histórico, e tão certeiro. Detesto errar, não nego, mas reconheço sua importância diante da vida. Um tanto quanto empírico, não? 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Eis-me


  Bem, andei meio afastado daqui, motivos? Falta de inspiração talvez. Para sorte (superestimando-me) de vocês, estou de volta, o que não é lá um bom sinal pra mim, já que muitas das minhas motivações para escrever são minhas desventuras emocionais, as mesmas de qualquer escritor de botequim. Preciso desabafar, desculpem, mas nem sei por onde começar, é um desafio pra mim expor meus sentimentos assim, sem metáforas, poemas bobos, ou qualquer coisa que esconda minha fragilidade e deixe-me apenas parecer alguém sensível a realidade alheia. Não me recriminem se eu acabar não dizendo nada, por favor, aprecie apenas a escrita se assim for.
  

Relacionamentos Sem Futuro



Eu fui sugado, subjugado, domado. Minhas forças foram subtraídas, numa relação unilateral de coringas e reis. Fui utilizado como degrau, para outra pessoa se reafirmar diante de mim, e de si mesma. Não passei de uma peça de xadrez, utilizado em um tabuleiro com um propósito maior por detrás de tudo. Embora tenha feito tantas juras a mim mesmo, tantas palavras ditas entre lágrimas de raiva e dor... palavras vazias, já que me pego passando por algo que jurei nunca mais deixar acontecer. Me sinto fracassado, por não ter visto aquilo que estava na minha cara, por não ter agido da forma com a qual sempre me cobro, e por reincidir no erro bobo de acreditar demais nas pessoas. O pior, é lembrar de todas as palavras falsas trocadas comigo, que não passaram de jogadas inescrupulosas contra a minha humanidade, minha empatia, a capacidade que eu tenho de gostar, de amar alguém. Acho que somente para mim, essas palavras tiveram algum sentido, ou foram verdade, porque tudo que eu disse, tudo que eu proferi foi verdade, não tenho necessidade de mentir com sentimentos tão verdadeiros, que vem das minhas entranhas, do meu corpo, que acreditava piamente em mentiras ditas por uma boca açucarada e 'inocente'. Agora que já não satisfaço mais as suas necessidades, fui exonerado do cargo, assumido agora, por pessoas mais interessantes, e que te bajulam melhor do que eu. Sinto muito se não funciono mais ao seu propósito, infelizmente eu não sabia do risco que eu corria ao me despir diante de você, no ato mais íntimo da metáfora. Não vou te dizer que espero que seja feliz com seus novos amigos, não vou ser hipócrita, você está entalado na minha garganta, eu quero mais é que você se exploda, e leve com você, toda sua falsa modéstia, todas as mentiras que me disse, a forma sonsa que você me tratou, e principalmente, essa sua maneira idiota de lidar com a verdade que lhe é dita! Aposto que vai arranjar uma maneira de se vitimar com esse texto, e dizer que eu sou o causador de todos os males da sua vida, e que vida né? Pode continuar com ela, pois de mediocridade, pra mim já basta.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Eu Prefiro Ser a Existir


Bem, não é de hoje que eu tenho andado um tanto diferente, e aqui, venho lhes contar o porquê dessa nova fase tão cética. Primeiramente, deixo claro que não me acho dono da verdade, não sou dono nem da minha cadela, Antonieta, eu apenas observo os fatos, e tiro uma conclusão dos mesmos, algumas vezes acertada, diversas vezes errada, mas ainda assim me ponho a pensar nas melhores saídas. Gosto muito de estudar, pois não somente a prática do erro e acerto funcionam, embora eu cuide para não me tornar apenas um teórico compulsivo. O fato é que a partir das minhas vivências, eu vou destruindo ou construindo conceitos, separando o que me é recebido com maior cuidado, decidindo a partir de prática e teoria, o que é realmente útil. Nesse contexto, quem acompanha o blog, já deve ter lido o texto "Acreditar é Preciso" que eu escrevi em Abril de 2009, que é totalmente contrário a "Questione Seu Time" também escrito por mim dias atrás. Não me considero uma pessoa volúvel, apesar de mudar a forma de pensar sobre alguns assuntos, mas como eu vinha dizendo no inicio desse texto, a partir das minhas vivências, e do que eu vou aprendendo com a vida, eu vou mudando, reformulando, ou até mesmo destruindo alguns conceitos. Algumas pessoas podem gostar, outras não, mas terão de se acostumar com isso. Acho que todos devíamos nos questionar sobre quem somos realmente, e sobre nossas verdades absolutas, porque algumas coisas não condizem com nós mesmos, embora sejamos forçados acreditar nelas por algum motivo.

Ps: A foto além de linda, é só pra quebrar o clima. ;)

sábado, 27 de agosto de 2011

Questione Seu Time

Sabe, eu aprendi que estudamos história pra não cometermos os mesmos erros, e aprendermos a lidar com os problemas, incentivando nosso raciocínio lógico com base no que já aconteceu antigamente, evitando assim que continuemos a pensar da mesma forma que nossos ancestrais, que por sua vez nos mostraram diversas opções falhas e opções viáveis em certos casos. Aprendemos também, o porquê da nossa atual realidade, e porque por exemplo eu nasci num país 'em desenvolvimento' e com altos índices de corrupção no governo. E ainda assim, me pego vendo em alguns lugares (por falta de história, muitas vezes), pessoas que cometem os mesmos erros citados antigamente, que por conta de tradições ou livros sagrados, se deixam levar a esse tipo de inconsistência, utilizando um combustível de destruição para salvar o mundo, será que apesar do óbvio se encontrar no nariz das pessoas, elas simplesmente preferem ignorar e continuar a promover a suas guerras santas? Será necessário destruir o mundo por conta de uma fé cega? Eu creio que não, as pessoas dizem que os males do mundo são causados por pessoas que não tem 'Deus' no coração, enquanto muitas com Ele no coração, matam pessoas, destroem famílias, e assassinam crianças em nome de sua fé. Ao longo da história antiga, quase todo mundo acreditou em um tipo de 'Deus' ou em vários deles, e isso não levou a civilização a lugar nenhum. Foram cometidos genocídios, etnocídios, pessoas foram escravizadas, e muitas outras que não preciso citar, tudo em nome da fé. Será mesmo que as pessoas são ruins, e que um mundo sem 'Divindades' seria um mundo perdido? Ou se tivermos certeza de que a vida é injusta, e que não vai existir nenhuma justiça divina para nos confortar vamos procurar melhorar ainda mais o mundo em que vivemos? Precisamos dar mais crédito a nós mesmos, afinal não se mexe em time que está ganhando, mas eu ainda não vi o nosso time religioso marcar um gol.