terça-feira, 12 de julho de 2011

Victoria Amazonica


A noite caiu mais rápido do que se esperava, a lua cintilava nas folhas verdes que metricamente cobriam a paisagem ao redor. Ao longe, um pedaço negro de céu escorria por entre a terra, deixando nuvens prateadas ao se chocar com as pedras. Tudo era calmo naquele turbilhão de sons... grilos, folhas, animais pequenos, água, todos a ocupar com maestria seus papéis na orquestra da noite. Mas algo resolveu perturbar aquela imensidão de calma, pés pequenos tocavam a terra, e aproximavam-se lentamente, floresta adentro. O vento forte espalhava as lágrimas, que como orvalho, tocavam as flores e plantas escondidas no breu, que a lua enorme e branca não conseguia clarear. Os lábios serrados, silenciosos, as mãos separadas, os dedos a esbarrar na mata, os pés descalços a marcar o solo. Nessa marcha fúnebre, em direção a margem da pantera negra a rachar as pedras, a figura vestida de luar caminhava. Uma luz, uma Deusa a farfalhar na água. Mais alguns passos, o frio, a coragem, o amor desesperado. Seduzida pelo brilho, a pobre atira-se nas garras do negro rio, desfalece em meio as águas gélidas. E desse nobre sacrifício, brotam hoje belas flores brancas, com o perfume divino, do amor não-correspondido.

domingo, 12 de junho de 2011

Forever Young I Want To Be...


Estou com tanta saudade, saudade do teu beijo, da forma que a tua pele encosta na minha, dos teus trejeitos, de como você sorri quando me vê, e de cantar as nossas músicas juntos. Nunca pensei que eu fosse amar alguém assim, nunca pensei que fosse amar. Fiquei perdido durante tanto tampo nas minhas expectativas bobas, nos meus devaneios platônicos, eu dizia pra mim mesmo que tudo que eu queria era impossível. Obrigado por me mostrar que o impossível não existe. Apesar do tempo, e da distância, eu ainda me arrepio com a tua voz, ainda fico rindo sozinho quando penso em você, e sinto aquela coisa forte que me aperta o peito quando eu digo: "Eu te amo". Foi bom aprender com você que não precisamos ser perfeitos, quando somos especiais o suficiente um para o outro, e que ser bobo, não é algo necessariamente ruim. Estou tão feliz ao teu lado, e assim quero continuar enquanto viver. Sempre vou lembrar de ti quando nossa música tocar, sempre vou lembrar da nossa história, dos nossos segredos, de como tudo começou. Escrevo com lágrimas nos olhos, desejando ser eternamente jovem ao teu lado, desejando você esta noite. Foram tantas conversas, tantos caracteres trocados, tantos impulsos por fios de fibra ótica, tantas ondas de rádio... Me promete que ficaremos juntos? Estou tão embriagado de amor, que me perco na linha de raciocínio, só não quero me perder de você, nunca. Eu te amo, eternamente.

sábado, 11 de junho de 2011

kitsch


Era uma vez, um casarão, com paredes antigas, onde ostentavam com saudosismo velhas fotografias de tempos inglórios, em uma parede, o mofo espalhava-se acima da lareira, que mais parecia uma ponta de cigarro velha e queimada. Duas poltronas outrora escarlates, de tão antigas, encontravam-se numa cor que beirava o vinho e a ameixa, o azedume e a doçura. No teto, um lustre empoeirado, aranhas tecendo teias, e algumas traças distraídas. No meio da escuridão da sala, em uma podridão fétida e nauseabunda, pequenos mamíferos orelhudos disputavam o que sobrou do lugar, a decadência. Uma mancha vermelha e escura, estendia-se pelo chão até a cozinha antiga, onde panelas enormes perderam o brilho há séculos, e talheres retorcidos, estavam negros, pela oxidação do tempo. No andar de cima, tapetes rasgados, cortinas velhas e sujas, camas desforradas e espelhos quebrados, milhões de anos de azar. Aos fundos, a lua tecia em belos linhos de ceda negra, uma noite escura e misteriosa, que desabava como um lençol por sobre a casa abandonada, onde as estrelas cantavam, para ninar, um casarão quase adormecido.

sábado, 7 de maio de 2011

Onda de Alegria


Já estava mais do que na hora de fazer aquilo que sempre me cobrei, mas que o juízo impedia. Esqueci meu lado cerebral por enquanto, vou tirar umas férias da razão! Cansei! Uma onda de alegria inconsequente me invadiu, e por enquanto vou deixar-me afogar, e borbulhar nesse mundo novo! E haja exclamação, alegria! Alegria! Eu havia me esquecido de quem eu realmente era, não vou mais deixar isso acontecer, de nada adianta existir, se na vida, o que se vale é viver! Me sinto como se esse tempo inteiro eu estivesse no fundo do mar, um abissal. Agora, depois de um lento processo de descompressão, enxergo a luz que me aguarda. De fato, ainda tenho um logo caminho a percorrer, mas sinto que dei mais um passo para minha felicidade! Vamos brindar! Dias incríveis chegarão a galope! Claro, de cavalo marinho. ;)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

"Eu Já Tive Uma Dessas"


Me peguei pensando, por que escrevo? No início sim, eu acho que procurava uns minutos de fama, agora, eu praticamente me desnudo em meio a palavras, perco o pudor, sou eu, somente eu, essencialmente. Quando leio algumas coisas e me recordo das emoções sentidas no momento da geração do texto, sinto até uma pontada de vergonha por expor meus sentimentos todos dessa maneira, é quase uma transa, em meio a maior avenida da cidade. No passado fui ruim, confesso, clichê, ainda sou um pouco, mas confesso também que me senti crescer, e acho que tenho um pouco de medo do que tenho me tornado, criei confusões deveras, amor, risadas, e até asco. Me inundei com um vocabulário novo, aprendi a conjugar a saudade, flexionei o destino e digo mais, interroguei a dúvida. Acho que agora, o que mais quero é me indagar, me descobrir, botar mesmo pra fora o que sinto, outrora terapia, agora divertimento. É bom reler o passado, assim, percebe-se o quanto se evoluiu, e se aprende que nada começa do cem, talvez do vinte. Bendito dia que criei "O Mundo de Math", glorioso dia que mudei para "Relicário Adolescente", e aguardo agora, o inesperado futuro, em meio a todos esses vocábulos travessos e desconcertados, que me seduzem até a última gota de prazer boêmio.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Para Esquecer


Ostentando um sorriso falso, com olhar de desdém. Seu corpo diz o contrário, sangra, por fora e por dentro. As portas do paraíso estão mais distantes... Como te pedir equilíbrio quando seu encéfalo se encontra com altas dosagens de álcool emocional? E quando a dor e os minutos se confundem? Mentir pra si mesmo já não resolve nada, olhar-se no espelho, uma fraude. Não insista mais nisso, é como cortar ainda mais fundo a ferida aberta. Entregue-se ao tempo, tudo que precisa... Mas não pode. Até quando irá suportar? A outra alternativa não é tão politicamente e religiosamente correta, mas igualmente e dolorosamente emocionante.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Feita de Vidro


Ela não tem desejos
apenas ouve os alheios
finge concordar com tudo
sempre passível, sem anseios
Com um tom de voz quase mudo

Importante demais
Triste e fugaz
Interrompida a cada suspiro
Mas de maldades, incapaz

Escuta, ouve, respira.
Fala, cessa, concorda.

Só mais um frágil brinquedo
Trocado facilmente
Guardando rancor em segredo
e seu amor, ficando fraco e dormente.