sábado, 6 de julho de 2019

Aqui estou eu mais uma vez. Senti uma vontade imensa de voltar a descrever meus sentimentos e de mais uma vez dar vazão as minhas incertezas. É difícil explicar o porquê, mas espero que vocês entendam.

Desapareci por bastante tempo, nem sei mais como lidar com esse blog para ser sincero. Tantas coisas aconteceram na minha vida, términos, reencontros, finalizações e novos começos. O tempo passa e a gente começa a descobrir novas situações, emoções e jeitos de viver a vida. Eu não sei se algum dia esse descobrimento, ou talvez busca, chegue ao fim, mas enquanto estamos vivos ela parece infindável.

Tanta coisa aconteceu, tanta coisa... boas e ruins, incríveis e tenebrosas, divertidas e nem tanto. Tudo acontece quando se está vivo, flores desabrocham, pessoas morrem, orgasmos são sentidos e términos de relacionamento acontecem. Tudo vai acontecendo, a gente nem percebe direito, quando vê a vida já tomou um rumo completamente diferente do que a gente imaginava. É complicado lidar com tudo isso, não é fácil entender o que a gente sente, imagina o que o universo sente? Imagina só, ter que lidar com acontecimentos dos quais nós não temos nenhum tipo de controle?

O mundo é tão flúido, tão líquido, tão efêmero. Estou exausto e cheio de incertezas, as vezes parece que volto sempre ao ponto de partida. Independentemente de todas as incertezas ainda existe um porto seguro: ainda estou vivo, e muita coisa ainda há de acontecer, basta esperar para ver o que o futuro há de me reservar.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Alguém está realmente perdido quando sabe o caminho a seguir, mas deliberadamente escolhe continuar no mesmo rumo?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O Baile



Eu não quero prender você. Não irei te conduzir nesta dança da vida se você já sabe conduzir a vida inteira. Talvez eu esteja 3 mil anos atrasado pra esse ritmo avançado em que você consegue mexer os pés. Eu sou apegado, só danço lento e apertado, quase tão junto que não dá pra respirar. As vezes danço sozinho também, com as mãos para cima e um ritmo desengonçado, meio tristonho e melancólico mas de certa forma bonito. Se tentar dançar no teu ritmo eu tenho medo de tropeçar e arrebentar meus joelhos, incapaz de dançar qualquer ensejo.

  Você dança livre como um pássaro. Eu também danço livre, como um pêndulo, pesado, pra lá e para cá. Meu ritmo é certo, velho e combinado. Se eu tentar seus passos eu me perco, caio, me machuco. Eu não vou parar de dançar, mas não vou te prender ao estar. E espero que me perdoe, pois também não vou deixar você me encarcerar.

  Onde você pode enxergar meu dançar pesado e poeirento, eu enxergo meus pássaros e meu decolar. Pode lhe parecer triste como se sua liberdade dependesse do parceiro de dança, porém acredite em mim: eu só dançarei pra valer com a morte. Então não se preocupe pois ficarei bem, dançarei sozinho por um tempo, esquisito e torto, muito belo também, ao meu jeito. Fique bem e dance sempre por ai, dance sem mim mas dance. Nunca pare de dançar.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O Garoto na Torre




 Intangível. No alto da torre mais alta, tão jovem e inocente, só. Por mais que tente sair de lá, ele parece sempre voltar para o mesmo quarto, mesma cama, mesma dor. Nem quando tenta saltar com tudo e sem medo pela janela da imponente e altíssima torre de pedras ele consegue despencar fora de seus problemas e pensamentos espinhosos. Não tem príncipe, não tem sapo, nem cabelo enorme para usar de escada ou madrasta malvada para lhe azucrinar. Apenas o silêncio de sua própria solidão o faz companhia.

  Intocável. Ele sofre em meio as mentiras contadas pelas paredes velhas que o aprisionam. Chora sem saber o que fazer no meio da noite, quando os fantasmas em sua mente aparecem para lhe contar histórias infames de tempos inglórios, como num turbilhão de pequenas aranhas tecendo teias em seus pensamentos malditos. Seus pés se arrastam pelo chão frio enquanto se contorce de forma deprimente numa dança de incômodos sob a luz do luar. Até mesmo sua sombra lamenta sua dor.

  Inalcançável. Seu maior desejo: um igual. Alguém para ser junto, sofrer, rir e chorar. Pra ser, não para estar. Feliz, triste, incrível, tangível e suave. Em seu mundo de serenatas machucadas e emoções dilaceradas, seria então pedir demais por um outro coração quebrado? Uma metade para bater junto? Sonhos inquietos que titubeiam em sua mente. Pois que os dias passam e ele espera, aguarda, implora e chora com lágrimas de prata e sangue.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Maybe Young But Not Forever Anymore

  I'm taken. Isn't life a gracious and a unique thing? You came and promised me the world, and so you did: you tore my world apart. Now I'm not yours anymore and you should move on. I'm moving on and you insist to bring me back to those past tears. I don't feel the same anymore. I don't know how could I love you. Don't look for me, do not try to find me, we are over now. Everything I've been doing or saying, none of that was for you.
  I found someone new, someone that loves me for who I am, every inch of my imperfections. What you are looking for don't exist anymore. I heard you got yourself a beauty queen. She must miss you, so go back to her and forget that we ever had something. Don't tear anyone's world apart anymore, it is hard as fuck to get everything glued together. Make she happier than I was... when I was with you. I gave you up a long time ago. I'm someone else's lover. I forgive you now.

forget it

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

QUANDO TU DIZ QUE ME QUER

Quero chorar um rio. Derramar uma enxurrada de dores, uma catarata de coisas guardadas. Quero me sentir esvair, esvaziar. Expurgar cada gota de sofrimento, cada gotícula de desamparo. Dar vazão a todo esse universo de desventuras e amores não correspondidos. Quero dissolver em meio as minhas lágrimas. Me perder no mar que se formará quando os meus rios encontrarem os teus. Vamos saborear o sal dos nossos desafetos, se deixar levar pelas ondas dessa maré de coisas quebradas.

JUNTOS PODEMOS NAVEGAR PARA O INFINITO

Mergulharemos, prenda a sua respiração, segure o fôlego. Vamos fundo, nadando o mais rápido possível para o frio abissal. Observe os corais, observe as cores, as anêmonas e os peixes-palhaço, os namorados, os baiacus. Me siga, sinta nossos corpos entrelaçados em água chegarem ao fundo do oceano de nosso sangue ocular. Observe as estrelas e o amor das baleias, o plâncton e os lagostins.

JUNTOS PODEMOS NOS PERDER

A escuridão fria me parte, me reparte me empurra e me estoura. A pressão de ir tão fundo me congela. Não te acho, não te vejo, mas não me perco, jamais me perco. A sua quimiotaxia me inebria e me guia. Lembra quando eu disse que ficaríamos juntos até que nossos corpos se transformassem num só? Já não consigo diferenciar meus átomos dos teus. Estamos cegos e fluorescentes, frios e quentes, no negro universal que encontramos na infinidade de possibilidades da vida.

JUNTOS PODEMOS SER UM SÓ

NU

INFINITO

Olá, vamos conversar?

  Antes eu possuía uma facilidade impressionante pra transformar meus sentimentos em textos curtos. Eu não sei o que andou rolando de uns tempos pra cá (até porque sentimentos não me faltam) que eu tenho escrito muito pouco. Meu último texto de 2014 foi postado após saber que estaria viajando em junho ou julho para outro país, para estudos. Lá, o processo de aprender uma nova língua dificultou continuar escrevendo para o blog em português.
  É claro que eu queria escrever muita coisa, sobre as diversas vivências que tive por lá. Porém, eu acreditava que escrever em português iria ser um desserviço no aprendizado da segunda língua. Pensei em escrever em inglês, mas veja bem, além de faltar vocabulário,  não faria muito sentido escrever numa língua diferente aqui no blog.
  Pouco antes de viajar, eu também decidi mudar a cara do blog. Lembrando que comecei a escrever aqui no "Mundo de Math", depois mudei para "Relicário Adolescente" e agora estamos no "Destinatário Alienígena". Não acho que preciso explicar o porquê dessas três mudanças, mas explicarei mesmo assim.
  O primeiro nome soava bastante infantil, convenhamos, eu tinha uns 15 anos quando comecei a escrever aqui, ainda estava cursando o ensino médio no colégio e muitas de minhas postagens antigas me fazem rir hoje. Não que eu queira desmerecer o meu passado, vocês sabem que não sou disso. Se hoje estou aqui, é por todo o caminho torto que eu andei trilhando, esse caminho que me levou na direção em que eu me encontro. Não sei se é a melhor, mas é. E pelo simples fato de ser, já me parece muito bom.
  O segundo nome, por sua vez, era datado. Ao terminar a minha adolescência, o mesmo deveria terminar. Terminou até tarde, uns 2 anos depois de ninguém mais me considerar um adolescente. Eu gostei muito desse nome, mesmo se tornando motivo de chacota na minha faculdade. Uma pena que as pessoas ainda tenham essa ideia deturpada de que devemos nos envergonhar de um dia termos sidos jovens e cândidos.
  O terceiro veio pra ficar. Eu sei, eu sei. Já escrevi e demonstrei o quanto eu posso ser mutável (eu pensei volúvel, mas esse vocábulo sempre abre para más interpretações) só que dessa vez eu tomei o maior cuidado do mundo e pensei extensivamente no nome, para que não ficasse infantil (apenas reiterando, não que isso seja ruim, só não é a proposta do blog) ou datado. Acredito que muita gente saiba, que os dados que transmitimos aqui na terra podem ecoar pelo espaço afora, além das galáxias e quem sabe, se assim existir, chegar a uma outra civilização que esteja a anos-luz de nós. tendo isso em mente, Destinatário Alienígena me pareceu algo de extremo bom gosto.
  Não sei se um dia algum alien de verdade vai ler isso aqui, e se por acaso ler... me parece meio improvável que ele entenda, qualquer maneira o novo nome serve também para você que como eu não se sente mais deste planeta. Seja por ter encontrado uma realidade alternativa muito mais interessante ou por não conseguir acreditar que faça parte da mesma espécie das pessoas ao seu redor.
  Bem, agora é a parte em que eu devia fazer algum jogo de palavras e me despedir de forma súbita como sempre tento fazer. Uma pena que minha musa hoje se encontra tão debilitada. Então vamos fazer assim, vocês fingem que eu escrevi algo extremamente lindo e poético, e eu finjo que alguém lê o que eu escrevo, combinado? Até a próxima então, caros viajantes do meu universo paralelo.

sábado, 12 de dezembro de 2015

A Fênix e o Labirinto

  As emoções formam paredes desconexas, um labirinto. Eu me encontro em meio tantos muros e tantas passagens, perdido. Fantasmas do passado me assombram pelos corredores. As dores dos amores me fazem arquejar. Em meio a todo esse caos eu me sinto sumir cada vez mais.

  O sol está no meio do céu. Encontro um plebeu que me promete tirar dali, o sol se vai e leva consigo o rapaz tão benevolente que me prometeu mostrar o caminho. Após a chegada da lua, encontro um príncipe e mais outro príncipe, e outro. Nenhum sabe o caminho pra liberdade, tão acostumados a nobreza - os coitados - que esquecem até seus destinos e direções, são marionetes sem titeriteiro. Acróbatas, escrivãs, poetas e mais uma infinidade de outras profissões cruzam o meu caminho. Ninguém sabe pra onde eu devo ir, mas todos parecem extremamente resolutos em seus próprios caminhos que não levam a lugar nenhum.

  Com a lua, sempre dói mais. Ainda que eu tenha companhia, sempre pareço estar só. E dormir se torna cada vez mais difícil. Me perco nos meus sonhos, as vezes acordo sem saber se estou ainda sonhando. Acordo chorando. Eu quero pular esses muros, mas eles são tão altos e eu pareço sempre mais e mais cansado. Me sinto tão pesado que chego a pensar que um dia o chão irá ruir, pois não suportará mais o meu peso. Eu mesmo já não suporto o pesar de meus pensamentos.

  Em círculos, sempre ao ponto de partida. Estilhaçado, despedaçado. Queimando. Dessa vez, ao chegar, o sol queima a minha pele. Incinera. Os raios ultravioletas fervem o meu sangue e o calor carbonizante incendeia meus ossos. Abro meus braços, me deixo queimar. Dor. Cinzas. Pó.

  LIBERDADE.

Nu, acima das nuvens, observo o labirinto. Milhares de pessoas, que mais parecem formigas, tão concentradas em seus caminhos que não me enxergam lá em cima. Olho para o sol. Agora eu sei pra onde ir. E vou.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Adeus



Você foi minha maior derrota.

Ainda sinto o tocar da sua pele na minha, a frieza dos teus lábios nos meus, as falsas promessas. A música débil a embalar a noite multicolorida, o mundo para o qual nos transportamos, o vórtex no qual você me guiou e me perdeu. Eu sentia seu corpo no meu e suspirava sonhos de amor, mas seus olhos me traiam. Fui seduzido pela fantasia de acreditar, de achar que você era meu.
Você me marcou como um vampiro, sugou as minhas forças e quase me fez definhar. Me subjugou, me desprezou, me usou. Aproveitou-se da doçura da minha ignorância e deliciou-se num manjar de ilusões. A tolice de minh'alma te satisfez.

Você foi minha maior lição.

Hoje eu sei, o que eu passei, passou. Podia ter aprendido de forma mais branda, podia ter sido de maneira mais calma, mais feliz, eu sei. Mas foi assim, aprendendo a remar na turbulência de um rio caudaloso. Agora entendo que você não era bom pra mim, nunca será nem em um milhão de anos. A escuridão sempre rejeita a luz. Você fugiu de mim, eu te agradeço. Nem sempre a razão vence sobre a emoção, hoje eu não me perdoaria se tivesse me deixado levar por seus olhos de vidro, falsos.

Você se foi.

E hoje você me observa de baixo.

Me veja VOAR.


terça-feira, 4 de junho de 2013

Torrencial

Escrevo porque preciso, mas tenho precisado tanto e escrito tão pouco. Sinto saudades da minha juventude por entre florestas e campos floridos de novos vocábulos. Fico saudoso ao relembrar a maravilha que é dedilhar sem rumo, escrever o que sinto, como numa enxurrada. 

Deixa chover.

Faz correr toda essa mágoa presa, toda essa dor enraizada, toda essa tristeza guardada. Quero me libertar do que sinto, quero deixar tudo pra trás. Largar tudo que for pesado demais pra carregar, livrar-me do sobrepeso de conversas vazias, de momentos cinzas e pessoas rasas.

Deixa cair.

Quero sentir, quero voltar a sentir! Quero de volta o que me foi negado, usurpado, expurgado: quero meu tato, meu tatear, lamber, tocar... Sentir o vento levar meu medo, correr despido das dores, dos amores, sim, dos amores e seus azedumes.

Me deixa.

Viver.

terça-feira, 21 de maio de 2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Notívago


   Eu tenho uma mania imensa de tomar decisões pouco práticas. Exato, mania, você leu certo, porque me recuso a crer que seja outra coisa. Nesse momento são mais de duas da madrugada, e cá estou, digitando em frente ao computador quando deveria há tempos estar na cama. Hoje deveria acordar relativamente cedo - e ainda pretendo conseguir essa proeza, de qualquer forma - pra sair antes de possíveis congestionamentos. Já imagino que acordarei super cansado, pegarei engarrafamentos, terei de resolver milhões de coisas, e, a noite ainda terei aula na faculdade onde temo estar morto de sono.

   Fico aqui colocando culpa nas coisas, no café, na genética... que mania! Sempre invejei aqueles que acordam cedo e bem dispostos, sempre tive essa vontade, verdade seja dita. Porém, sempre que tento fazê-lo não duro senão uma semana dormindo e acordando em horários bonitinhos. Imagino acordar sempre cedo como uma maravilha, uma visão romântica, concordo: pássaros cantando, cheiro de café fresquinho e muita luz do sol. Renego minha natureza noturna pra não ser confundido com um vadio - que ultraje! - embora discorde dessa "visão padrão". O fato é que talvez em alguma coisa eu pudesse ser um pouco mais "padrão", não faria tão mal assim afinal. Talvez seja minha senilidade chegando, com o perdão do gracejo.

   Não sei se tenho cura, não sei se é questão de tempo, de vontade, do que quer que seja. Mas vou vivendo do jeito que posso, da forma que consigo e que me agrado. Bem que o mundo inteiro podia seguir uma tendência similar, dormir mais tarde que o convencional, já inventaram a energia elétrica, poxa! Seria no mínimo divertido uma sociedade noturna. Parece até nome de livro vampiresco, mas é né? Talvez eu seja mesmo um tanto quanto essas figuras mitológicas. Uma coisa temos em comum: insônia.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Primavera


Começa a graciosa valsa das feras
os olhares lascivos se encontram
troncos vermelhos cobertos por heras
no leito onde os trovões estrondam

O desabrochar ao primeiro toque
entregando o perfume das flores
seiva bruta que na pele escorre
aquecendo em um milhão de cores

Gemidos que na terra germinam
arranhando as pedras ao passar o rio
onde as folhas despojam

Na fonte rubra jorra a semente
em silêncio a floresta enternece
terminado a dança concupiscente


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Tóxico


Sou um isótopo radioativo
Constante nas minhas inconstâncias
Uma explosão, um delírio
Um mártir dos céus descabidos
Conflagrando as próprias chamas

Rasgando o firmamento em dois
Com um rastro vermelho de raiva
Frio ainda que quente sois
Sendo, agora e depois
Em nébula aurora paira

Desapareço em antagônica flecha
Envenenando em raios gama
Trincando a terra em brecha
Escapo, fluído, em flores.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Não Sou Popular


Saio na rua. Todos me olham, me revistam, me procuram. Me sinto altamente vigiada a cada segundo da minha vida, como se todos os satélites e câmeras estivessem voltados para mim, sem piedade, all day. Todos querem usar as minhas roupas, imitar o meu cabelo, comprar o mesmo carro, o mesmo perfume, querem respirar meu ar... Recebo presentes caros, importados. Todas as grifes do mundo me almejam, eles querem me vestir com o alto da mais alta costura, para desfilar nas ruas de Paris, Milão, Tókio. Bebo vinhos caros, séculos de maturação, champanhes, néctares. Colho da árvore mais frondosa e como da carne mais macia, cozida pelo Chef mais talentoso. Garotos e garotas fazem filas quilométricas só para estar comigo, multidões se amontoam quando eu passo - Céus, não consigo acreditar em meus olhos! Todos sabem quem eu sou.

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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Spera



O sinal toca o corpo cansado
Palavras e sonhos envoltos em luz
O mártir anseia o pecado
A noite a todos conduz

Tempo corre, tempo passa
Armados seguimos em prece
Distante observa-se a caça
A escuridão entontece

Imerso no completo caos
No limítrofe entre ver e sofrer
Tentando guiar desordenada nau

Eu vou, seguindo a ventania
Vestindo vistosa seda verde
Perante a dor que se avizinha


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Catarse


Quando as pessoas olham para você elas não te vêem, entre os mortos e feridos todos previnem-se de uma nova guerra, ninguém quer mais sofrer. Na próxima esquina, a distância se torna uma aliada, o desvio, um amigo, as poucas palavras são o pão de todo dia, e na verdade, o que não se percebe é que outro campo de batalha foi criado.

  Pessoas vazias vestidas com suas melhores roupas continuam vazias, mas ninguém quer mais sofrer.

  Vivemos encantamentos passageiros, sonhos superficiais, mentiras bonitas. Uma noite falsa, para falsos amantes, mas uma morte verdadeira aos que merecem morrer. E onde estará o sol? Para encerrar as desventuras dos amores não-correspondidos, para fazer fotossintetizar a matéria prima de um novo amor, de verdade.

  Pessoas se tornam passado. Passou.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

εμπειρικός


Uma noite quente, mas nada me impede de tomar meu café bem fervido, e contemplar a fumaça rítmica que enlaça a si mesma na borda da minha xícara de cor marrom. Música romântica tocando na rádio, voz aguda, doce, feminina. Diversos poemas flutuam em minha cabeça. Meu telefone toca, meio descrente digo: "Mais uma mensagem de amor". E não é que estava certo? Algo sobre o amor das fênix. Dou uns goles no café. Preciso me focar e terminar o texto. Eu gosto de escrever, tenho um amor pelas palavras, é o meu fetiche. Sempre quis uma estante, abarrotada, que como mais um dos meus sonhos "ignóbeis" de infância, foi ignorado. Tive uma máquina de datilografar, é verdade. Achei perdida na casa da minha avó, se tornou minha melhor amiga por bons tempos, até acabar a fita. Escrevi muita besteira nela, e apesar de ter meios mais modernos de escrever, sinto saudades. Tropecei muito, estou cheio de marcas que não me deixam esquecer as dores das bobagens que já dedilhei. Eu gosto, sou meio masoquista nesse sentido, no final, é tudo apenas uma forma um pouco mais dolorosa de aprendizado. Erro e acerto. Tão obsceno, antiquado, pré-histórico, e tão certeiro. Detesto errar, não nego, mas reconheço sua importância diante da vida. Um tanto quanto empírico, não? 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Eis-me


  Bem, andei meio afastado daqui, motivos? Falta de inspiração talvez. Para sorte (superestimando-me) de vocês, estou de volta, o que não é lá um bom sinal pra mim, já que muitas das minhas motivações para escrever são minhas desventuras emocionais, as mesmas de qualquer escritor de botequim. Preciso desabafar, desculpem, mas nem sei por onde começar, é um desafio pra mim expor meus sentimentos assim, sem metáforas, poemas bobos, ou qualquer coisa que esconda minha fragilidade e deixe-me apenas parecer alguém sensível a realidade alheia. Não me recriminem se eu acabar não dizendo nada, por favor, aprecie apenas a escrita se assim for.
  

Relacionamentos Sem Futuro



Eu fui sugado, subjugado, domado. Minhas forças foram subtraídas, numa relação unilateral de coringas e reis. Fui utilizado como degrau, para outra pessoa se reafirmar diante de mim, e de si mesma. Não passei de uma peça de xadrez, utilizado em um tabuleiro com um propósito maior por detrás de tudo. Embora tenha feito tantas juras a mim mesmo, tantas palavras ditas entre lágrimas de raiva e dor... palavras vazias, já que me pego passando por algo que jurei nunca mais deixar acontecer. Me sinto fracassado, por não ter visto aquilo que estava na minha cara, por não ter agido da forma com a qual sempre me cobro, e por reincidir no erro bobo de acreditar demais nas pessoas. O pior, é lembrar de todas as palavras falsas trocadas comigo, que não passaram de jogadas inescrupulosas contra a minha humanidade, minha empatia, a capacidade que eu tenho de gostar, de amar alguém. Acho que somente para mim, essas palavras tiveram algum sentido, ou foram verdade, porque tudo que eu disse, tudo que eu proferi foi verdade, não tenho necessidade de mentir com sentimentos tão verdadeiros, que vem das minhas entranhas, do meu corpo, que acreditava piamente em mentiras ditas por uma boca açucarada e 'inocente'. Agora que já não satisfaço mais as suas necessidades, fui exonerado do cargo, assumido agora, por pessoas mais interessantes, e que te bajulam melhor do que eu. Sinto muito se não funciono mais ao seu propósito, infelizmente eu não sabia do risco que eu corria ao me despir diante de você, no ato mais íntimo da metáfora. Não vou te dizer que espero que seja feliz com seus novos amigos, não vou ser hipócrita, você está entalado na minha garganta, eu quero mais é que você se exploda, e leve com você, toda sua falsa modéstia, todas as mentiras que me disse, a forma sonsa que você me tratou, e principalmente, essa sua maneira idiota de lidar com a verdade que lhe é dita! Aposto que vai arranjar uma maneira de se vitimar com esse texto, e dizer que eu sou o causador de todos os males da sua vida, e que vida né? Pode continuar com ela, pois de mediocridade, pra mim já basta.